Escala 6x1: o que acontece agora? O que muda para empresas e trabalhadores? Entenda

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (2) a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga).

Os senadores ainda vão analisar um trecho da proposta em separado, o chamado destaque. 

O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dois turnos e, com a aprovação na CCJ, avançou mais uma etapa no Senado. Agora, a PEC precisa ser votada e aprovada em mais dois turnos pelo Plenário do Senado.

A proposta estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução de salário. (veja detalhes abaixo)

O relator da proposta que acaba com a escala 6x1, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou todas as emendas apresentadas ao texto. Ao todo, 36 emendas foram debatidas durante a análise da matéria na CCJ do Senado.

No total, 27 senadores estavam presentes. Desses, quatro votaram contra. Antes da votação, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), concedeu o prazo de uma hora para a análise do texto. A medida atendeu a um pedido de parlamentares da oposição, que defendiam um prazo maior para avaliar o relatório.


Mas o que acontece agora? Tem que ter convenção coletiva? Mudança de contratos de trabalho? Como vai ser essa transição?


O que muda para o trabalhador? E para a empresa?

Se a PEC for aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga.

A jornada máxima também será reduzida. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas.

A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo.

"Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados.

Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos.

Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto.


"A discussão sobre o fim da escala 6x1 precisa ser analisada pelas empresas também sob a perspectiva de planejamento. Uma eventual redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva."

— Tatiana Sant'Anna, advogada trabalhista do escritório Durão, Almeida & Pontes


A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto.


Quando começam os dois dias de folga?

O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais.

Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. A proposta, porém, ainda pode ser alterada durante a análise no Senado.

Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas.

Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana.


Como será a transição de 44 para 40 horas?

Se Câmara e Senado chegarem a um mesmo texto, a proposta poderá ser promulgada como Emenda à Constituição. Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação.

Se o texto for mantido como está, a primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos.

Ao fim desse período, de 14 meses após a promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário.

Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente.

Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos.

Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão.

Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis.

"O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho.

Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados.

“A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma.


A empresa terá que mudar os contratos de trabalho?

Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador.

"As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares e Patrick Lobo, sócio da área trabalhista do Demarest e advogado do trabalho também no Demarest, respectivamente.

Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais.

A proposta também estabelece regras para os acordos e convenções coletivas que já estão em vigor. Instrumentos que forem incompatíveis com os novos limites de jornada e descanso terão de ser adequados, conforme as regras previstas na emenda.

Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta.

Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS.

Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece.

Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro.

Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial.


Será necessária negociação coletiva?

Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas.

"A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest.

Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra.

Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição.

Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras.


Como ficam horas extras e banco de horas?

A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas.

Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas.

Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas.

Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis.

Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas.


O que acontece com categorias que têm escalas especiais?

Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada.

A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas.

Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta.

A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor.

Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação.


Quais são os próximos passos?

Caso seja aprovada pela CCJ, a PEC poderá seguir para o Plenário do Senado. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, o texto ainda precisará ser aprovado em dois turnos de votação no Plenário antes de uma eventual promulgação.

O relator, Omar Aziz, afirmou que, caso a proposta avance na CCJ, há intenção de encaminhá-la rapidamente ao Plenário e buscar um calendário especial para a votação.

A proposta ainda está em tramitação e, portanto, não altera, neste momento, as regras vigentes para empresas e trabalhadores.


Fonte: G1

Outras Notícias

Produtores e empresas afetados pelas enchentes podem solicitar crédito emergencial em Registro-SP

Vale do Ribeira - Financiamentos do Governo do Estado oferecem até R$ 150 mil para produtores rurais e até R$ 500 mil...

Polícia Ambiental apreende armas e materiais de caça ilegal em prédio público em Juquiá

Movimento pode ser até 33% maior do que em dias normais no trecho entre Curitiba e Embu das Artes/SP.Vale do Ribeira ...

Arteris Régis Bittencourt estima 723 mil veículos na BR-116 durante o feriado de Nossa Senhora Aparecida

Entre os dias 9 e 12 de outubro, período do feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida, a Arteris Régis Bittencour...

Sesc Registro-SP promove fim de semana dedicado à infância com atividades que unem arte, brincadeira e cultura popular

Programação gratuita reúne oficinas, intervenções, música, literatura e experiências interativas para crianças e famí...

Sebrae-SP prepara pequenos negócios do Vale do Ribeira para venderem mais na Black Friday

Vale do Ribeira - Oficina gratuita no dia 26 de outubro vai ensinar estratégias para criar anúncios profissionais no ...

Fazenda onde Pelé criou animais por 38 anos está à venda por R$ 35 milhões

Uma fazenda que pertenceu a Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, por 38 anos voltou a repercutir na internet após ser...

Temporais voltam ao Sul nesta quarta; novo ciclone deve se formar nos próximos dias

A chuva forte volta ao Sul do país nesta quarta-feira (7) e deve atingir primeiro o Rio Grande do Sul. Na quinta-feir...

Com risco de impeachment, STF busca diálogo com novo Senado e avalia flexibilizar emendas

Para lidar com a nova composição do Senado a partir de 2027, que terá uma bancada do PL ampliada e um grupo expressiv...

Mega-Sena 3067 acumula e prêmio vai a R$ 100 milhões; confira os números sorteados

O sorteio do concurso 3.067 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (6), em São Paulo. O prêmio para as...

Homem preso suspeito de matar esposa e enteada grávida morre em cela no interior de SP

Aroldo Pereira Lima, de 37 anos, preso suspeito de matar a esposa, de 52, e a filha dela, de 25, que estava grávida d...

Anna Castella, Faustão, Jackie Chan, Prince e Magayver: veja os homônimos dos famosos que se aventuraram nas urnas em SP

A abertura das urnas no estado de São Paulo neste domingo (4) revelou uma série de homônimos de famosos que se aventu...

Campanha de educação para o trânsito reúne cerca de 1.200 crianças em Registro-SP

Vale do Ribeira - Registro-SP, Participação passou de 11 para 19 escolas; concurso recebeu mais de 100 vídeos sobre a...

Homem é assassinado no PA após perder caminhonete em aposta sobre eleição e se recusar a entregar veículo

Uma disputa motivada por uma aposta sobre o resultado do 1º turno das eleições presidenciais terminou em crime na noi...

Lionel Messi se despede hoje da seleção da Argentina com seis títulos

Lionel Messi fará sua despedida da seleção argentina nesta terça-feira (6), às 20h (de Brasília), em amistoso contra ...

Fórum Encadear promove rodada de negócios entre pequenos negócios e grandes empresas em São Paulo

Petrobras, Globo, Gerdau, Suzano, Bunge estao entre as empresas compradoras; interessados podem fazer pré-inscrição a...

1ª Mostra de Ballet reúne escolas e grupos de dança nesta terça-feira em Registro-SP

Evento será realizado às 19h, na Área de Convivência do Sesc Registro-SP com entrada gratuita.A Prefeitura de Registr...

Sete Barras abre inscrições para 27% cursos gratuitos de Informática Robótica e Proteção Contra Fraudes

Jovens, adultos e idosos de Sete Barras terão novas oportunidades gratuitas de capacitação nas áreas de tecnologia e ...

Prefeitura de Registro divulga horários dos ônibus para o domingo de eleições (4/10)

Tabela reúne itinerários e horários de saída das linhas municipais; transporte será gratuito na dataA Prefeitura de R...

1ª Mostra de Ballet de Registro-SP será realizada no SESC

Vale do Ribeira - Registro-SP recebe, no dia 6 de outubro, a 1ª Mostra de Ballet, reunindo apresentações de diferente...

O Encontro de Violeiros de Registro- SP já tem nova data: 10 de outubro

Em uma proposta diferente da tradicional Roda de Violeiros, o encontro será um momento de convivência, música e valor...